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A paz, nem sempre está no silêncio

Quem tem um anjo autista em casa, sabe muito bem da movimentação, barulho e agitos constantes.

Confesso que, em alguns momentos me vejo suplicando no íntimo por um pouco de silêncio. Mas, o que temos que entender, é que silêncio não é sinônimo de paz.

Embora seja comum alguém dizer: “me deixa em paz!”, querendo pedir para deixá-lo sozinho, sem barulho, em silêncio.

“As crianças retornaram às aulas. Agora vou ter um pouco de paz!”, é outra expressão comum.

Tenho compreendido nas minhas vivências que a paz nem sempre está no silêncio. Pelo contrário. O silêncio muitas vezes é um pesadelo para quem tenta fugir dos próprios fantasmas: medos, traumas, solidão, remorsos, sentimentos autodepreciativos…

Um solitário homem, por exemplo, que volta para a casa após uma longa viagem de negócios, e sabe que vai encontrar uma residência vazia, sem ninguém o esperando ansiosamente, em algum momento ele se sentirá desestimulado a voltar.

É claro que o silêncio é quase uma ferramenta de trabalho para os jornalistas que precisam de concentração para escrever. Mas, em meio ao silêncio, sinto falta da paz que encontro na presença da minha família, mesmo com os gritos e movimentações intensas da minha filha autista.

A paz, nem sempre está no silêncio.

 

Lucas Tatui é jornalista, escritor em início de carreira e pai de um linda anjo autista.

#LucasTatuiReflexões

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